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livrando-se da negatividade


Vivemos em uma época em que abrir um jornal ou acessar um site de notícias tornou-se uma tarefa que exige extrema cautela. Sempre que resolvo me inteirar do que está acontecendo com o mundo, fico me questionando se realmente estou preparada para o que está por vir.

A verdade é que nada pode me preparar para a avalanche de negatividade na qual me encontro soterrada diariamente. Cada uma das minhas atividades precisa ser meticulosamente programada para que eu não me afunde ainda mais num poço de desesperança. Ver televisão? Melhor evitar o noticiário. Entrar num portal de notícias? Está na hora de colocar a cegueira seletiva em prática. Redes sociais? Só após meia hora de meditação, uma limpeza energética e pelo menos, vinte ave marias.

É triste constatar que vivemos em uma partida de campo minado, nos escondendo nas laterais e rezando para não encontrar uma bomba pelo caminho.

Mas será que é possível escapar do inferno que tornou-se coexistir com líderes megalomaníacos, violência desenfreada e aquele coleguinha que insiste em compartilhar os detalhes minuciosos de todas as desgraças que ocorrem em sua vida pessoal? Como balancear a sua saúde mental com a necessidade de manter-se informado sobre os últimos acontecimentos? Cadê a fórmula mágica para viver uma vida cheia de positividade e cercar-se apenas de boas vibes?

Bem, se eu tivesse uma resposta direta para as perguntas acima, certamente já estaria aplicando-a em minha rotina. O que eu tenho para oferecer são algumas dicas do que fazer quando o mundo parece ser too much e a negatividade começa a lhe afetar diretamente.

como me sinto quando estou fugindo da negatividade do mundo

CULTIVE OS BONS MOMENTOS
Recentemente, descobri o porquê de me sentir tão abalada com qualquer acontecimento levemente desfavorável. Você já ouviu falar do viés da negatividade? Por motivos evolutivos, nós temos uma tendência a dar maior atenção para eventos e informações negativas.

Quer um exemplo de como isso funciona? Ao longo de sua vida, você já deve ter recebido uma centena de elogios, porém, tenho certeza que se lembra de poucos. Mas se eu te pedir para lembrar de alguma crítica que já lhe fizeram, você conseguirá imediatamente recordar-se de todos os detalhes dolorosos. Nós possuímos uma propensão a nos deixar influenciar pela negatividade.

Com isso mente, tente cultivar o positivo com mais frequência. Guarde aquele e-mail com um elogio ao seu trabalho. Favorite os vídeos de cachorrinhos fofos. Mantenha um diário da gratidão. Compartilhe somente boas notícias no Facebook. Derrote o viés negativo!

ESTEJA PRESENTE
Muitas vezes, percebo que estou em uma rede social, sem nenhum motivo especial, apenas consumindo conteúdo negativo passivamente. O truque aqui é passar a fazer suas atividades intencionalmente e não automaticamente.
Se você pretende passar alguns minutos no Twitter, Tumblr ou Facebook, reserve tempo para tal, esteja ciente que a vibe nem sempre será das melhores e o mais importante, saiba quando é a hora de se desconectar.

CONVERSE COM ALGUÉM
Costumo evitar assuntos delicados, pois sei que abordá-los fará com que eu chore descontroladamente. Desde a infância somos condicionados a acreditar que o choro é nocivo, vergonhoso e um ato a ser reprimido a todo custo.

Estou lentamente aprendendo a importância de chorar como válvula de escape saudável e a falar abertamente do que me incomoda. Procure alguém com que você sinta-se confortável (um amigo ou terapeuta) e coloque pra fora o que está te perturbando.

Não tenha medo de pedir ajuda, parecer frágil ou abordar certos tópicos. Todo mundo se beneficiaria se começássemos a falar um pouco mais sobre nossos medos e anseios.

CORTE A TOXICIDADE DA SUA VIDA
Por mais que, de uma forma ou de outra, não possamos evitar más notícias, ainda podemos tomar atitudes em menor escala para evitar que a negatividade tome conte de nossas vidas. Recentemente, compreendi que não faz sentido manter pessoas tóxicas em minha vida.

Um estudo realizado na Universidade de Harvard, concluiu que a felicidade e a tristeza espalham-se tal como uma doença contagiosa. Isso fez com que eu me perguntasse, qual era o valor de manter relacionamentos e amizades cuja única função parecia ser me levar ainda mais pra baixo?

Me afastei de algumas pessoas, abusei de funções como o mute e soneca nas redes sociais e sinto que estou um pouquinho mais leve.

Essa dica também vale para pessoas que você nem conhece. Todo mundo tem aquela celebridade cuja vida acompanhamos como uma forma de hate-watch. Liberte-se disso! Tem tanta gente bacana por aí, fazendo coisas legais e espalhando felicidade, não deixe que seu foco seja em quem é tóxico e desnecessário.

TOME UMA ATITUDE
Muitas vezes, o sentimento de impotência causado pela negatividade é tão pesado que não conseguimos enxergar uma solução viável para esse mundão. Creio que o problema é estarmos focados demais no todo e acabamos nos esquecendo das pequenas coisas que podemos fazer para o bem do coletivo.

Me peguei pensando o quanto queria poder fazer mais para ajudar outras pessoas. O dinheiro anda curto, a vida anda meio atribulada e quase não sobra tempo para nada. O que me esqueço é que existem coisas tão pequenas que posso fazer no meu dia a dia e que realmente podem causar uma mudança positiva na vida de alguém.

Ceda seu lugar no transporte público para uma pessoa que precisa mais. Procure vaquinhas online e doe para o tratamento médico de alguém ou uma causa que você acredita. Ajude sua família ou um amigo nos afazeres domésticos. Compre comida para animais de rua. Seja o mentor de alguém no seu trabalho. Dê aulas de reforço para os colegas que precisam. Não compartilhe negatividade em suas redes sociais.

Agora eu quero saber: Como você lida com a negatividade em seu dia a dia? Compartilhe suas dicas nos comentários!

Imagens: Xavier Sotomayor e Giphy
Mia Fernandes

música: reputation



Existe uma lista de entretenimento a qual sempre recorro quando me sinto triste e preciso de um abracinho em forma de arte. A discografia da Taylor Swift é sempre uma escolha certeira quando preciso de música que me conforte e levante meu astral simultaneamente.

Quando me sinto nostálgica, querendo voltar para a minha adolescência e reviver todos os momentos preciosos, geralmente estou ouvindo o Taylor Swift. Para quando preciso de coragem para enfrentar os problemas, o Fearless é o CD que escuto. O Speak Now deixo para as noites em que o mundo parece pequeno demais para tudo que ainda quero viver. O Red me acompanhou em inúmeras decepções amorosas. Já o 1989 seria a trilha sonora perfeita se minha vida fosse um filme.

Por fim, vem o Reputation. O álbum que me faz querer voltar no tempo, me dá coragem, faz com que eu anseie por novas experiências, acalenta meu coração partido e parece encaixar-se perfeitamente bem no momento que estou vivendo.

Ainda não sei se é muito cedo para declarar que o TS6 é o meu álbum favorito da Taylor, porém, não tenho como negar a sintonia dessa fase com minha vida e o quanto o Rep é exatamente o CD que parece perfeito para qualquer período da minha história.

Para celebrar esse masterpiece, preparei a minha já tradicional lista de covers para que vocês possam curtir o CD de uma maneira diferente. Olha só:

...Ready For It? - Halocene
 

End Game - Rhea Raj


I Did Something Bad - Shoshana Bean and Cynthia Erivo


Don't Blame Me - Heather Cole, Maddy Newton, & Meaux


Delicate - Sam Tsui & Vidya Vox


Look What You Made Me Do - J.Fla



So It Goes... - Lauren Bonnell


Gorgeous - MVTCHES ft. Catherine McGrath



Getaway Car - Marie Miller ft. Kenny Kohlhaas


King Of My Heart - Josslyn Jing


Dancing With Our Hands Tied - Albie Toro


Dress - Yaniza


This is Why We Can't Have Nice Things - Camille Peruto & Mackenzie Johnson


Call It What You Want - Tyler Ward & Nikki Phillippi


New Year's Day - Travis Atreo


E aí, qual cover você curtiu mais? Me conte tudo nos comentários!
Mia Fernandes

por onde andei




Eu hesitei muito antes de iniciar esse texto. Deveria começar com um pedido de desculpas pelo sumiço ou simplesmente fingir que nada aconteceu? Como poderia condensar tudo o que aconteceu em minha vida nos últimos oito meses em que estive ausente? Tenho tantas novidades para compartilhar e, ao mesmo tempo, sinto que absolutamente nada mudou.

Logo no início do ano, comemorei meus 365 dias de sobriedade. De todos os meus feitos, sinto que esse é o mais significativo. Já não sinto mais a necessidade de utilizar o álcool como "lubrificante social". É como se eu finalmente houvesse encontrado minha identidade além da bebida. Agora, com mais de 500 dias sem beber nenhuma gota, sinto uma paz que nunca havia sentido antes.

Sei que foi graças à essa paz de espírito que tomei outra decisão importante. Depois de muito repensar o meu futuro profissional, fiz a matrícula no curso de Psicologia. Isso é algo que venho querendo desde os meus vinte anos de idade. Sempre tive interesse pela profissão, porém, parecia que a minha vida só me levava cada vez para mais longe desse sonho.

Resolvi aproveitar a estabilidade da minha fase atual para começar a faculdade. Ainda nem acredito que embarquei em um curso de cinco anos de duração. Aí, quando dei por mim, já completei um semestre e só me restam quatro anos e meio para me tornar uma psicóloga.

Para completar, fiz 30 anos de idade em Fevereiro. Odeio soar piegas, porém, sou muito grata por ter chegado até aqui, pelos meus erros, acertos e tudo mais que me levaram a ser quem sou.

Tenho muitas expectativas para essa nova década da minha vida e espero poder usar a sabedoria que adquiri nos últimos anos para continuar fazendo mudanças significativas na minha vida. A única coisa que não quero mudar é o Conversas Imaginárias, esse meu cantinho onde venho registrando minha vida desde 2013.

E quanto a isso, eu só tenho o seguinte a declarar:



Imagem: Alexandr Bormotin
Mia Fernandes

cinco modelos plus size que você precisa conhecer



Quando penso em minha adolescência, as memórias mais recorrentes são sobre o relacionamento complexo com a imagem refletida no espelho. Naquela época, desenvolvi uma mania de cobrir qualquer curva/protuberância em meu corpo com o máximo de roupas possível. Eu não me via dentro do padrão de beleza e a melhor solução para tais "neuras" era esconder o que parecia excessivo.

Infelizmente, cresci numa época em que ser magra/alta era o combo ideal da beleza. Demorei para compreender que a pluralidade de nossos corpos era importante e que encaixar-se em um "padrão" não deveria ser minha prioridade.

Recentemente, estava lendo uma revista de moda e me deparei com uma entrevista com a Ashley Graham, uma das modelos plus-size mais disputadas da atualidade. Imediatamente pensei em minha juventude e como alguém como ela mudaria tudo para mim.

Daria tudo para crescer em uma realidade em que as "Ashleys" estampassem as capas das minhas publicações favoritas.

Eu entenderia muito mais cedo a importância de amar meu corpo e não ter medo de como as pessoas me veriam. Também teria me interessado mais por moda, sabendo que existem marcas que se importam com garotas como eu e que as queriam em suas passarelas.

Por isso, resolvi que ficaria mais atenta ao que se passava na carreira de tais modelos. Me senti motivada a apreciá-las e glorificar o que faziam. Para que essas (e muitas outras) mulheres incríveis continuem fazendo toda a diferença para meninas que ainda não aprenderam a amar seu corpo.

Essas são as cinco modelos plus-size que você precisa conhecer:
Precisamos falar sobre Ashley. Por mais que eu queira falar sobre as outras beldades da lista, não dá pra começar a falar sobre modelo plus-size sem reconhecer a importância de Ashley Graham para o meio.

Com um currículo impressionante, já foi capa de publicações como Vogue, Harper's Bazaar, Glamour, Sports Illustrated e Elle. Mais recentemente, ela foi a garota dos sonhos do DNCE em seu vídeo clip "Toothbrush".  

Conhecida como referência quando o assunto é plus-size, ela demonstra ter um relacionamento muito saudável e inspirador com seu corpo:
"Não há muitas mulheres que falem sobre as suas imperfeições, como eu, e fico feliz por poder ser a voz que lhes diz que é normal ter celulite. Pensem e falem positivamente sobre os seus corpos e nunca se compararem a alguém"
Redes Sociais: Instagram // Facebook // Snapchat // Twitter

Barbie Ferreira ainda pode ser considerada "novata" no meio, com apenas vinte anos de idade, ela já soma quase 500 mil seguidores em seu Instagram. Filha de brasileiros, Barbie está em ascensão e foi considerada pela Teen Vogue uma das adolescentes mais influentes de 2016.

Quanto à sua carreira, Barbie já estrelou campanhas para a American Eagle, Urban Outfitters, ASOS e muitas outras marcas relevantes no mundo fashion. A modelo chama a atenção por se recusar a permitir que suas fotos sejam retocadas:
"Não ser retocada em imagens é algo muito importante para mim. As pessoas devem saber que é assim que eu pareço, sem a percepção de ninguém sobre como meu corpo deve ser"

REDES SOCIAIS: Twitter // Instagram

Bishamber Das é reconhecida não somente por ser a primeira modelo plus-size asiática da Grã-Bretanha, mas também por ser a segunda colocada no concurso Miss India Europe em 2014.

Bishamber é a embaixadora do Curve Fashion Hub do eBay, já estrelou campanhas para marcas plus-size como a Yours Clothing e tem planos de lançar sua própria linha de roupas. Como muitas de nós, a modelo também precisou lidar com pessoas lhe dizendo que se não perdesse peso, nenhum homem nunca casaria com ela.
"Eu estava cansada das pessoas olhando para a minha aparência física e decidindo que eu não valia nada, quando na verdade eu era uma jovem brilhante que já havia alcançado tanto em minha vida acadêmica e profissional. Estava na hora de mulheres como eu tomarem um passo a frente e mostrarem ao mundo o que é diversidade"

REDES SOCIAIS: Instagram // Twitter // Facebook
Olivia Campbell é uma modelo britânica que chamou muita atenção ao tirar a roupa para um pequeno documentário sobre aceitar o próprio corpo. Olivia é mãe solteira e o racismo e bullying que enfrentou durante a infância, a motivaram a largar sua educação aos quinze anos de idade.

Hoje em dia, ela assume que levou um longo tempo para fazer as pazes com sua imagem e que não tem vergonha de usar a palavra gorda.
"Ao meu ver, gorda não é algo negativo. Eu sou gorda. Essa é só uma palavra para me descrever".
REDES SOCIAIS: Instagram // Facebook
Philomena Kwao nunca sonhou em ser modelo. Crescida na Grã-Bretanha, ela acreditava que não havia espaço para mulheres negras que não se pareciam com a Naomi Campbell ou Jourdan Dunn. Quando um amigo enviou suas fotos para uma agência londrina chamada Models1, Philomena acabou vencendo uma competição e se tornou parte do casting.

Formada em Economia e com um Mestrado em Gestão Global de Saúde, Philomena é embaixadora da marca Torrid e sua beleza já estampou editoriais para sites e revistas como o i-D, Essence e etc...

Philomena acredita que beleza tem tudo a ver com se sentir confortável:
"Eu me sinto mais bonita quando estou em casa, vestindo moletom e assistindo cartoons. Em momentos como esse, eu sinto que posso baixar minha guarda e fico mais desinibida. Esse sentimento de total conforto é o que faz me sentir mais bonita"
REDES SOCIAIS: Instagram // Facebook // Twitter

Agora eu quero saber: O que você acha das modelos plus-size? Você acompanha o trabalho delas? Esqueci de mencionar alguém em minha lista? Me conte tudo nos comentários!

Imagens: Teen Vogue, Sports Illustrated, Galore Magazine, Instagram, Rebel & Romance Boudoir Photography e Torrid

Mia Fernandes

música: ctrl (sza)


A Solána Imani Rowe, ou SZA, tem 24 anos e nasceu em St. Louis, nos Estados Unidos. Ela tem contrato com uma gravadora pequena, a Top Dawg Entertainment, que apesar de modesta assina também: Kendrick Lamar. Apenas. Ela lançou o álbum Ctrl em junho deste ano e aqui seguem alguns comentários sobre esse álbum cinco estrelinhas douradas.

That is my greatest fear That if, if I lost control or did not have control, things would just, you know I would be… fatal...

Supermodel já diz a que SZA veio. Tudo que ela queria dizer e disse. Cada um dos versos é uma verdade nua e crua sobre sentimentos, decepções, traições e uma auto estima abaladíssima. Desde levar um pé na bunda no dia dos namorados até transar com o melhor amigo do ex. Supermodel é essa bagunça que as pessoas, em geral, são. Não é como ela queria que as coisas fossem, como deveriam ser, ou ser uma fantasia sobre o futuro. É. É o que é.


A vulnerabilidade de admitir pra você mesma seus sentimentos, de admitir o que você deseja, ou ainda, o que você deseja que tivesse sido. Essa é Love Galore, em parceria com o Travis Scott. Ela passa por um processo de se permitir sentir seja lá o que for, que admite que gostaria que as coisas tivessem sido de outra maneira, é desse lugar de olhar pra si mesma e aceitar tudo que há por dentro que a SZA parece ir se levantando ao longo do álbum. Mas não é um se levantar e "carregar tudo", carregar aquela bagagem pesada e incômoda que a gente parece acumular ao longo dos anos, é fazer com que tudo isso também seja parte de você. Que não seja um peso, mas uma parte de tudo que você é. Que teu passado possa te conduzir a lugares também. Lugares escuros e desconfortáveis, como a honestidade bruta de Doves in the Wind, a solidão de estar com alguém que não te corresponde em Garden (Say It Like Dat). E lugares de completa aceitação e paz consigo mesma. Desses segundinhos de completude em saber que muito pior já passou e o hoje está bem de Go Gina.

Drew Barrymore é como eu e todas as minhas amigas já nos sentimos. Aquelas meninas do colegial que nunca foram minhas amigas, minhas colegas de trabalho e da faculdade, minhas irmãzinhas, a barista do cafézinho do lado do trabalho, minha mãe, provavelmente. Todas as meninas já sentiram Drew Barrymore. Se meninos também já sentiram... provavelmente sim. Eu não saberia afirmar. Sobre meninas eu afirmo. A Drew Barrymore dentro de mim abraça a Drew Barrymore dentro de você e a SZA canta ela pra todas nós.



Em Broken Clocks a SZA é ninguém mais, ninguém menos que eu, você e todo mundo que tá ralando pra fazer a vida, pagar as contas, trabalhar daqui e de lá, ir em uns encontros esporadicamente, lembrar que a gente tá aqui vivo e... peraí já tô atrasada pro trabalho de novo.

Logo em seguida, em Anything, parece que a SZA acabou de chegar em casa de um desses encontros e tá topando e se permitindo o sentimento de "vamos ver no que dá", mas ao mesmo tempo fica o desejo de sentir mais, de sentir mais forte, de sentir de verdade. Será que é muito pedir pra sentir?

Sabe como é quando a gente começa a se perguntar essas coisas? Vem aquele espiral de pensamentos, né? E segue em Wavy (Interlude), a lembrança de todos os comportamentos e relacionamentos destrutivos que ela já se envolveu, a bagunça interna e a vontade de sair de tudo isso, de deixar pra trás não só o que já aconteceu, como de deixar pra trás também a assombração que é carregar a memória de não ter cuidado melhor de si mesma. Em Normal Girl, o desejo de que fazer tudo isso fosse fácil. O desejo que consome de ser apenas normal, de não ter esses pensamentos obscuros, de não sentir a pressão de consertar as coisas. E a si mesma.


Aquela SZA do início, que pedia pro cara não ir embora, que chorava pelos cantos pelo que já não é mais... A auto-depreciação e a falta de compaixão consigo mesma agora dão lugar à SZA que está vivendo dia a dia o melhor que ela pode, aceitando o melhor que ela tem pra oferecer e seguindo o caminho dos seus 20 e tantos anos, esperando que eles nunca acabem mas que também não acabem com ela, que lhe reste alguns amigos verdadeiros e esperando que ainda exista amor pra ela encontrar, em 20 Something.

And if it's an illusion, I don't want to wake up. I'm gonna hang on to it. Because the alternative is an abyss, is just a hole, a darkness, a nothingness. Who wants that? You know? So that's what I think about CTRL, and that's my story, and I'm stickin' to it...

Agora você pode ver a SZA fazendo um dueto com a Willow Smith aqui.
E também pode ver a SZA cantando com a Lorde e o Khalid aqui.











Imagens: Giphy e Sage
Mia Fernandes