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50 dias sem ela



Quando o relógio denunciou meia noite, senti um alívio cósmico apoderar-se de mim. Era como se todo o peso de um ano péssimo houvesse saído de meus ombros e dado lugar à sensação agradável de recomeçar.

Minha tradição de ano novo envolve escutar uma música cheia de mensagens positivas, esvaziar uma garrafa de champagne e me sentar para escrever todos os meus planos e metas. Entretanto, resolvi que esse ano eu faria uma pequena modificação no ritual.

Enquanto ouvia That's My Girl do Fifth Harmony, escrevi minha única resolução para o ano de 2017 em letras grandes na primeira página da minha agenda: Parar de beber.

Quero deixar bem claro que não sou o tipo de pessoa que julga quem bebe. Muito pelo contrário: acho que já consumi tanto álcool em minha vida que seria hipócrita em me achar superior por não beber. Bebendo ou não, sinto que meu saldo etílico sempre será positivo.

O problema é que não sei beber. Sempre vi meus amigos bebendo e se divertindo, e por mais que eu tentasse replicar esses efeitos, o tiro parecia sempre sair pela culatra. Bebida me transformava em alguém que eu não era. Por mais que esse alguém fosse incrivelmente divertida nas primeiras horas, a tendência era que ela se tornasse insuportável lá pela oitava dose de qualquer coisa.

Sem contar que percebi o quanto estava dependente da bebida. Ela era minha companheira nos momentos de felicidade, descontração, tristeza e depressão. Cheguei em um ponto em que não suportava mais ficar sóbria. Não queria encarar minha realidade. Só pensava em ter aquele tão desejado efeito de dissociação que a bebida me proporcionava.

Creio que admitir meu problema foi um passo importante. Tentei, diversas vezes, verbalizar tal preocupação para os meus amigos e sempre recebi um: mas é claro que você não é alcoólatra, como resposta. Não os culpo, já que eu era a única que convivia comigo por 24 horas por dia e o vício pode parecer imperceptível para quem está de fora.

Eu só percebi a gravidade do meu problema quando parei de beber. Após 50 dias sóbria, perdi 10 quilos, minha mente está mais estável, o remédio que tomo para depressão está fazendo efeito, minha voz está mais firme, me alimento melhor, durmo em paz e tenho mais disposição.
Chega até ser engraçado o quanto a bebida tirou de mim sem que eu nem ao menos notasse. Em dois meses, voltei a ser alguém serena, fácil de lidar e sensata. Alguém que não tem mais motivos para fugir da realidade que a cerca.

Sei que estou somente nos primeiros passos de uma jornada que será longa, difícil e cheia de tentações. Mas resolvi escrever sobre isso aqui e me abrir um pouco, para poder mostrar o meu comprometimento com a sobriedade. Só mais um dia e eu sei que ficarei bem.

Agora eu quero saber: você tem algum vício que quer largar? Me conte nos comentários!

Imagem: Shutterstock
Mia Fernandes

o meu detox digital


Sempre fui extremamente aficionada por internet e não é de se estranhar que encontrei minha vocação em mídias sociais. Creio que tenho certo talento para comunicação/storytelling e a internet proporcionou ótimas oportunidades para que eu desenvolvesse esse dom e o colocasse em prática diariamente.

Quando alguém vem falar que a minha geração está perdida, por conta de todo o tempo que passamos online, sou a primeira a listar todas as facilidades que a sociedade tem por conta da internet. Ao meu ver, minha vida virtual é tão importante e significativa quanto a minha vida real.
E tal como a vida real, muitas vezes nos sentimos um tanto overwhelmed com a quantidade de acontecimentos, pessoas e informações. Foi assim que no ano passado, resolvi que esse blog entraria em hiatus por tempo indefinido. Tal hiatus se estendeu por praticamente todas as minhas redes sociais e durou quase seis meses.

Muitas pessoas me questionaram a respeito do "sumiço". Minha resposta sempre era que eu estava passando por um detox digital e queria poder me desapegar de comportamentos que não estavam me fazendo bem. Sinto que um "arco" em minha história finalmente se completou. Desde 2015, ano em que deletei meu perfil pessoal no Facebook, venho me sentindo mais leve, focada e consigo manter as amizades mais facilmente.

Essa "vibe" finalmente contempla todos os aspectos da minha vida virtual. Volto para o blog sentindo que aprendi uma lição em gerenciamento de tempo, produtividade e positividade. Continuo fascinada pelas redes sociais, porém, a diferença é que aprendi a usá-las de maneira mais inteligente e não somente como, uma geladeira vazia que eu abro constantemente quando não tenho nada melhor para fazer.

Se você também quer encontrar um equilíbrio saudável entre seu consumo de internet e a vida pessoal, minha dica é que tente começar pequeno. Delete alguns apps do celular. Desligue as notificações. Não vá para cama com o tablet/smartphone. Use as redes sociais como uma recompensa para a realização de outras tarefas.

E agora, eu quero saber: quanto tempo você já ficou "fora" de suas redes sociais? Você acha que elas ocupam muito do seu tempo? Me conte tudo nos comentários!

Imagem: Shutterstock
Mia Fernandes